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DATAS INESQUECÍVEIS

No início da noite de 30/11/1990 eu dirigia uma camionete Saveiro, zero quilômetro, recebida na tarde do mesmo dia em Imperatriz – Maranhão, com destino para São Luís, capital do Estado e após abastecer e perguntar ao frentista como estava a estrada a seguir este me informou que daqui para frente pode “meter o pé”, pois a estrada está ótima, isto é, entre as cidades de Santa Luzia e Santa Inês, Maranhão.

Não demorou muito, avistei um grande buraco no asfalto à minha frente, sem qualquer sinalização e um caminhão vindo em sentido contrário, de sorte que só me restou pisar no freio, todavia não deu tempo de evitar cair no referido buraco e o carro saltar fora e carambolar por duas ou três vezes e ficarmos, eu a referida saveiro, dentro de um buraco maior e mais fundo, ela de pneus pra cima e eu com o sinto de segurança afivelado, sem conseguir desafivela-lo... E pensava que o carro iria pegar fogo logo, logo.

Livrei-me do sinto, mas a porta não abria de forma alguma, em seguida, verifiquei que o vidro não estava no lugar, saindo pelo espaço deixado por ele. Agarrei-me ao resto da mencionada porta, mas não encontrava terra firme nos pés, deduzindo que havia um buraco mais fundo bem junto do carro, e andei com um pé bem junto ao outro até chegar à encosta situada na frente do veículo sinistrado e subi-la, com dificuldade. Renasci, graças ao Grande Arquiteto do Universo. E desde então passei a comemorar dois aniversários, ou seja, 20/03 e 30/11.

Avistei meus pertences espalhados, tanto na pista como no mato rasteiro à sua margem direita e comecei a juntá-los, um a um. Nesse ínterim chegaram as primeiras pessoas, que me enchiam de perguntas. Uma delas, um amigo de São Luís, me perguntou o que eu queria dele e respondi que uma carona até Santa Inês. Uma senhora idosa e de bengala, chegou perto de mim e me perguntou, o seguinte: quantos morreram? E eu lhe respondi que nenhum, já que eu viajava sozinho... E ela então me disse, você vai morrer, neste buraco já aconteceram acidentes e mortes!

Registrei a ocorrência na PRF, em Santa Inês, e telefonei para casa, em São Luís, quando falei que estava vivo e ouvi apenas a voz da minha companheira, Marlene, e a ligação caiu. Procurei hotel para pernoitar e, no dia seguinte, voltar ao local do acidente com alguém que pudesse tirar o veículo do buraco e trazê-lo para São Luís.

Fui informado de um motorista que tinha uma caçamba e que poderia me ajudar. Tomei banho e jantei; tentei dormir, contudo não consegui e comecei a ter calafrios, além de dor na mão direita, aliás, o único local afetado pela carambolada. E comecei a pensar que a senhora idosa estava certa... Lembrei-me que conduzia um calmante e tomei um pouco e, em seguida, adormeci.

Pela manhã, procurei o motorista e este, solícito, foi logo comigo ao local do acidente onde constatou que a lataria do carro estava imprestável, mas que tinha dois pneus intactos e que o motor não fora afetado, mas que seria difícil tirar o resto do carro do local, a não ser que conseguíssemos um trator na fazenda mais próxima. Nesta conseguimos alcançar o objetivo, de sorte que, por volta das treze horas, estávamos com a sucata sobre a caçamba. Fomos almoçar e seguir para São Luís, aqui chegando em 01/12/1990 à noite.

Em casa vi logo todas as luzes acesas e muitas pessoas, dentre estas meu pai, meu irmão Salomão, Marlene e meus filhos, que se espantaram ao me verem, vivo. E Marlene desmaiou de novo (ela desmaiara quando ouviu minha voz de Santa Inês). É que correra a notícia de que eu fora sequestrado e morto. Em seguida, a alegria familiar foi enorme.

E em 06/09/2014, testemunhei nova noite de alegria da família, que celebrou os 85 anos de feliz existência do meu primeiro irmão e amigo Salomão Pereira Rocha e este articulista foi homenageado com a incumbência de saudar o ilustre aniversariante, e o fiz, mesmo com alguns problemas de saúde.

A família é realmente um projeto de Deus; é a célula mãe da sociedade!

*E-mail: rocha.osvaldo@uol.com.br e site: www.osvaldopereirarocha.com.br





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