Untitled Document

FAZENDA NOVA SANTA CRUZ

Sou proprietário de um pedaço de terra no município de Lima Campos, neste Estado do Maranhão, de apenas 100 hectares, distante da cidade, sem uma estrada que se possa realmente chamar de estrada, onde, quando disponho de algum tempo de folga, passo um final de semana, geralmente um a cada mês, acompanhado de familiares, em gozo de algum descanso ou lazer. Lá tenho alguns gados vacum e cavalar, poucos mesmo, mas que me dão alguma satisfação, já que nasci e fui criado na fazenda do meu falecido pai, Antonio da Silva Rocha, no interior de Pedreiras-MA, que tinha o nome de Fazenda Santa Cruz, daí originando o nome do referido pedaço de terra que eu pomposamente chamo e registrei como sendo Fazenda Nova Santa Cruz.

Alguns fatos pitorescos têm acontecido por lá. Dentre estes, dois ou três são de algum destaque e todos têm a participação, direta ou indireta, de José Alves da Cruz, conhecido como Zé Codó (pelo fato de ele haver nascido naquele outro município maranhense), uma pessoa brincalhona e cheia de piadas espirituosas por natureza. Exemplos:

1º) - todas as crias ao nascerem recebem um apelido dado por ele, apelidos esses bastante estranhos, ou seja: maconheira; cumbuca; manga-rosa (pelo fato de ter vindo ao mundo cor-de-rosa); touro-brabo, por ter dado muito trabalho para ser conduzido para o curral (nasceu longe, dentro do mato); branco, macaco, muriçoca, preguiça, etc.

2º) – em determinado dia, estávamos alguns de nós sentados no alpendre da casa, em um final de tarde, tendo o gado pastando na quinta ao lado e ‘a beira da estrada, quando vinha uma boiada, com um touro negro ‘a sua frente que, de repetente, parou em frente ao meu gado. Olhou por cima da cerca, afastou-se um pouco e investiu contra a mesma, que o segurou; afastou-se mais, cavou o chão por algumas vezes e executou um bonito salto sobre a cerca, alcançando logo uma vaca branca (a branquinha) que pastava ao lado do Touro Bravo e nela, sem cerimônia alguma, montou. Touro Bravo só levantou a cabeça do capim que comia e voltou a comer, como se nada estivesse acontecendo ao seu lado. Em seguida, o touro negro desceu de sua montaria e caminhou de volta para suas vacas na estrada, saltando de novo e facilmente a cerca. Zé Codó então se virou para mim e perguntou-me: Sê viu que covarde, sem vergonha, é esse tourinho? (não era pequeno, não, o bicho). E continuou falando: de agora em diante seu nome não é mais Touro Bravo, mas, sim, Covarde. E este morreu com esse novo nome, depois de ver que a vaca branca, em nove meses, pariu um bezerro preto, que nem o pai...

3º) – Em determinado dia, indo eu de São Luís para a Fazenda Nova Santa Cruz, vi entre São Mateus e Caxuxa, ‘a beira da estrada, uma coisa que ainda não havia presenciado entre gado vacum, isto é, um touro negro cobrindo um touro branco. Já ia passando, mas parei o carro para ter certeza de que não era uma vaca que estava sendo coberta e comprovei que, realmente, eram dois touros que estavam cobrindo e sendo coberto, respectivamente. Ao chegar ‘a Fazenda encontrei-me com o Zé Codó e contei-lhe o que vira, dizendo-lhe que havia achado muito estranho, pois até então só havia sido testemunha de fato dessa natureza entre jumentos. E ele, tranqüilamente, me disse: Graças a Deus que era um negro cobrindo um branco! Já imaginou se tivesse sido ao contrário! Nisso os negros estão levando vantagem sobre os brancos por estas bandas!

Ao que lhe respondi: os gados vacum, negros, diga-se a bem da verdade, pois não conheço e ninguém dos presentes também não, caso de prática sexual de branco com negro ou de negro com branco por estas paragens. Aí reinou o silêncio, embora eu continuasse decepcionado com o meu já falecido Touro, antes bravo e depois covarde e sem entender a razão de um touro, negro ou branco, cobrir outro. Mas, por certo, há disso também no mundo dos animais irracionais.

Clik no link do menu ao lado para ver as fotos relacionadas ao tema Fazenda Nova Santa Cruz

"Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho"