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INTRUÇÃO PARA APRENDIZ-MAÇOM


(Da Sala dos Passos Perdidos ao Trono de Salomão) Osvaldo Pereira Rocha*


“A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, educativa e
Progressista. Proclama a prevalência do espírito Sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento
Moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da
prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins
são a LIBERDADE, A IGUALDADE E A FRATERNIDADE” (Estatuto Social do GOAM, página 9).


I – Sala dos Passos Perdidos.

“... um caminho difícil porque a importância desse momento, na vida de um Maçom, não se resume no ato ou na mudança de ‘status’ hierárquico e sim pelas exigências de conquistas de aperfeiçoamento que se farão necessárias para ser Venerável Mestre de fato” e de direito.
“A Missão Maçônica universal apresenta duas dimensões: a missão institucional da Maçonaria e a missão individual e coletiva dos Maçons, sendo, respectivamente:
- Promover o autoaperfeiçoamento moral da pessoa humana;
- Promover o Bem-Estar da Humanidade”.
O comparecimento normal dos Irmãos Maçons às Sessões começa na Sala dos Passos Perdidos, lugar em que busca o relaxamento inicial, necessário para a restauração do equilíbrio energético conturbado pela labuta do dia.
“A atitude mental a ser mantida é a de equilíbrio e alegria condicionados ao ambiente e aos instantes que antecedem a entrada no Templo propriamente dito, visto que a sala dos passos perdidos é considerada um prolongamento do Templo Maçônico”.
As sutilezas da arrogância, as manobras do orgulho, as contrariedades vividas no dia-a-dia, enfim, os modos grosseiros, a maledicência, o uso de expressões pesadas e o vício do fumo devem ser afastados para não poluir, antecipadamente, o ambiente positivo que deve ser formado por todos.
Os bons costumes tornam a mente limpa e higienizam a palavra, ajustando-a, para que os ouvintes sejam instigados ao exercício da conversa proveitosa. A vigilância mental, principalmente lembrarmos, mais uma vez, as nossas responsabilidades perante as práticas maçônicas!
Quem faz uso da palavra normalmente assim o diz: “deixemos para trás os pensamentos comuns, os dissabores, as angústias, os problemas cotidianos, enfim, deixemos aqui os pensamentos profanos”.
Nosso escopo é completar a edificação do Templo da Virtude, embelezando-o com os nossos propósitos de aperfeiçoamento. Cada irmão somará ao que estiver ao seu lado as vibrações benéficas, visando encontrar, após o umbral desta Porta a Paz de que tanto necessita. Invoquemos o Grande Arquiteto do Universo, para que dirija os nossos passos.

II – Iniciação.

A Iniciação Maçônica é o momento mais importante na vida de todo Maçom. É o momento em que ele renuncia ao mundo profano e adere ao mundo maçônico, da procura da verdade, do conhecimento, do aperfeiçoamento, da prática da virtude... Em que o candidato morre para a vida profana e nasce para a vida espiritual. É quando ele recebe a LUZ.

III - Templo Maçônico.

O Templo Maçônico é descrito como um quadrilongo, sua altura vai da Terra ao Céu, o comprimento do Oriente ao Ocidente, a largura de Norte ao Sul, a profundidade da superfície ao centro da Terra. Seu teto é uma abóboda azul, semeada de estrelas e nuvens, sustentada por 12 colunas que representam o zodíaco. No seu chão está o Pavimento Mosaico onde o branco e o preto se unem fraternalmente, circundado pela Orla Denteada. No Oriente está o Sol e a Lua, e no Ocidente se erguem duas colunas ornadas com três romãs em seu topo, como que a demarcar um portal sagrado. O Templo abriga a Loja; a Loja representa o Universo.
Outros símbolos como os Altares; o olho encrustado no Delta; a Estrela Flamejante; o Delta Sagrado (IOD); o Livro da Lei e tantos mais que aguçam a natural curiosidade perscrutante dos Iniciados, porém encerram em seus significados virtudes e ensinamentos guardados através dos tempos.
Aliado a essa descrição, o significado etimológico da palavra LOJA nos transporta a uma atenção que distingue seu sentido de forma primorosa e esclarecedora, segundo Castellet, ela deriva de LOGOS, que é o verbo ou palavra que emitida no mundo o resgata das trevas e do caos, criando assim a possibilidade da manifestação e da ordem universal. Igualmente, LOJA, se não etimologicamente, mas no sentido simbólico, é idêntica à palavra LOKA, que quer dizer MUNDO, LUGAR, LUGAR E, POR EXTENSÃO, COSMOS. Por outro lado, também se forma uma identidade entre Loja, Logos e o grego lyde, que significa LUZ.
Loja é o Local Sagrado onde trabalham os Maçons, à procura do conhecimento, do aperfeiçoamento, da virtude. Cada Irmão deve procurar dentro de si porque está ali... Para que... E onde quer chegar a partir desse conhecimento.
O Irmão Maçom que queremos na Sublime Ordem Maçônica deve incluir-se na categoria dos que buscam instruir-se e compreender e, não, na categoria dos indiferentes. O Aprendiz Maçom que busca fazer progresso na Maçonaria.

IV – Alegorias do Templo.

a) - As Colunas.
Fisicamente, uma coluna tem o papel de sustentar uma abóbada, um entablamento, uma estátua e outros mais, sendo formada de uma base, um fuste e um capitel. Além de sua função física, as colunas tornaram-se com o tempo, representações máximas de arte e arquitetura formando ordens, entre as quais podemos citar cinco das mais belas e conhecidas, ou seja, a jônica, a dórica, a coríntia (de origem grega) e a compósita e a toscana (de origem italiana).
A maioria das Ordens Maçônicas apoia-se nas colunas de origem grega, isto é, a jônica, que corresponde ao Venerável Mestre, a dórica, ao Primeiro Vigilante e a coríntia, ao Segundo Vigilante. Pelo aspecto simbólico, a alegoria é representada pela significação das palavras Sabedoria, Força e Beleza, respectivamente;

b) – Os altares.
A Maçonaria estabeleceu, na organização de seu Templo, um local aonde a simbologia e a alegoria correspondentes dos altares – valores místicos desde a antiguidade – representassem o compromisso dos que ingressam na Ordem (Iniciados) e que, também, pudesse vinculá-lo, da mesma forma mística, às responsabilidades assumidas, pelos Irmãos, perante a Ordem Maçônica e o Grande Arquiteto do Universo.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, o Altar dos Sacrifícios (dos hebreus) passou a ser o Altar dos Juramentos, que se encontra na parte superior do Pavimento Mosaico, exatamente onde se situa o centro geométrico da Loja.
Ali o Iniciado sublima sua comunhão com o Grande Arquiteto do Universo, sacrificando os apetites mundanos e as arrasadoras paixões de que é portador, em holocausto aos princípios norteadores de ascensão espiritual de sua Ordem.
O Altar dos Incensos ou dos Perfumes situa-se normalmente em frente ao Trono de Salomão, onde tem assento o Venerável Mestre, a uma distância média entre este e o último degrau de acesso ao Oriente.
Ambos têm a forma triangular equilátera, sustentada por um pedestal. Normalmente cobertos por toalhas brancas...
O Trono de Salomão, onde tem assento o Venerável Mestre (o dirigente da Oficina da Arte Real; o líder dos Irmãos); os altares do Primeiro Vigilante, do Segundo Vigilante, do Orador, do Secretário, do Tesoureiro... Integram a decoração de uma Loja de São João (o Batista), nosso Padroeiro.

V – Ingresso ao Templo.

Dar-se o ingresso ao Templo ao Aprendiz Maçom (grau 1) regular mediante a bateria, a marcha e a idade (toques, sinais e palavras pertinentes), com as saudações ao Venerável Mestre, ao Primeiro Vigilante e ao Segundo Vigilante. Se lhe for perguntado (Telhamento – páginas 55 e 56 do Ritual adotado pelo GOAM), responderá exatamente como previsto no Ritual do grau.

VI – Lugar em Loja.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, o Aprendiz-Maçom tem assento no topo da Coluna do Norte, ou seja, junto à parede Norte, entre as seis primeiras colunas Zodiacais. Assentos confortáveis ou não discriminatórios.

VII – Uso da Palavra.

Se a palavra lhe for concedida esta terá início com a Saudação ao Venerável Mestre, ao Primeiro Vigilante e ao Segundo Vigilante, devendo proceder da seguinte forma: Venerável Mestre, Irmão Primeiro Vigilante, Irmão Segundo Vigilante, demais Dignidades, Meus irmãos... ou assim: Luzes,demais Dignidades, Meus Irmãos...

VIII – Instruções do Grau.

São seis as Instruções que Aprendiz-Maçom recebe regularmente em Loja, essenciais para a sua formação maçônica, constantes do seu Ritual.
“Quando começamos a estudar os Instrumentos de Trabalho do 1º Grau e sobre eles meditamos, observamos logo que não por acaso foram escolhidos entre os utensílios dos pedreiros. A sua significação filosófica e simbólica é tão profunda que nos transporta diretamente ao núcleo dos nossos conceitos mais fundamentais sobre a vida e o trabalho”(Palavras do Venerável Mestre ao iniciar a Primeira Instrução ao Aprendiz Maçom, nos termos do Ritual do Grau 1).
As viagens Iniciáticas. Os elementos fundamentais de cada viagem.
A régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel são esses instrumentos, correspondentes à sabedoria do Venerável Mestre, a força do Primeiro Vigilante e a beleza do Segundo Vigilante, respectivamente.
A Maçonaria dá grande ênfase à responsabilidade de a Loja cumprir sua missão instrucional de empenhar-se na educação maçônica.

IX – Trono de Salomão.

Aqui tem assento o Venerável Mestre, eleito pelos Irmãos, com a missão de dirigir os trabalhos e presidir a Loja Maçônica; de liderar os Irmãos, quando a democracia é condição indispensável, porém não suficiente para atingir os objetivos da Sublime Ordem Maçônica.
Este assento só pode ser ocupado por ele ou pelo Grão-Mestre da Potência, quando este vier à Loja e quiser dirigir e ou presidir os seus trabalhos. Se esta não for a sua intenção, ele, Grão-Mestre terá assento à direita do Venerável Mestre.
É preciso estabelecer limites para que a Ética presida cada passo do processo, pois a ambição não pode antecedê-la, é a Ética que tem de preceder a ambição!
*Grão-Mestre “Ad Vitam” do Grande Oriente Autônomo do Maranhão – GOAM. Grande Inspetor Geral da Ordem (Grau 33). Membro efetivo da Academia Maçônica Maranhense de Letras – AAML e do Instituto Histórico da Maçonaria Maranhense - IHMM. E-mail: rocha.osvaldo@uol.com.br e site www.osvaldopereirarocha.com.br

BIBLIOGRAFIA:

1 – Estatuto Social do Grande Oriente Autônomo do Maranhão – GOAM vigente;
2 - Da Sala dos Passos Perdidos à cadeira de Salomão, livro de Urabutan Alves Marinho – Editora A Trolha Ltda.;
3 – Consultório Maçônico, de Edenir J. Gualtieri, Fuad Haddad, Guilherme de Queiroz Ribeiro, Pedro Juk e Ronaldo Pinto de Moraes – Editora A Trolha Ltda.;
4 – Instrucional Maçônico, Grau de Aprendiz, de Tito Alves de Campos – Editora A Trolha Ltda.;
5 – Iniciação – de Luís Javier Miranda Mc Nally – Editora A Trolha Ltda. e
6 – Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito (Grau 1), adotado pelo Grande Oriente Autônomo do Maranhão – GOAM (Integrante da Confederação Maçônica do Brasil – COMAB).

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