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A MULHER NA MAÇONARIA

Muitos têm procurado tratar do problema da mulher na Maçonaria... Existem aqueles que defendem o “direito” da mulher ingressar nas Lojas Maçônicas, e aqueles que negam esse “direito”. Os primeiros apegam-se à idéia de que, sendo a mulher igual ao homem, em direitos e inteligência, capaz, como o homem, não poderia ser ela preterida pela Instituição, que prega a Fraternidade Universal e a igualdade em seus usos. Afirmam os que assim entendem que ao tempo em que James Anderson codificou a Maçonaria (1723), a mulher ainda não desfrutava de direitos que conquistou mais tarde. Direito à participação na vida pública, a exercer cargos públicos, a exercer cargos nas empresas privadas, etc. Nessa época, a mulher era ainda limitada ao trabalho do lar, uma auxiliar do homem, incumbida de cuidar dos filhos e da casa. Mas, como tudo evolui, a mulher paralelamente às conquistas que obteve, deveria, também, ter conquistado o direito de ser admitida regularmente nos templos maçônicos.

Os que assim pensam apegam-se aos princípios de que não é possível romper-se esse mandamento basilar, sob pena de se desnaturar a Instituição, que é masculina, embora não subestime a mulher, alvo de todo respeito e admiração. À mulher cabe o papel de auxiliar o homem, no lar, educando e criando os filhos, e na Maçonaria, auxiliando-o nas obras de filantropia, e ingressando em entidades paramaçônicas, não iniciáticas.

Os defensores da participação feminina na Maçonaria regular lembram os salões maçônicos, as lojas maçônicas femininas anteriores à Revolução Francesa, onde pontificaram mulheres inteligentes que atraiam a elite do pensamento e da cultura na França. Citam a iniciação, no século XIX, de Marie Deraismes, que fundou a Maçonaria Feminina, ou seja, o “Droit Humaine” que existe até hoje, graças ao trabalho de Georges Martin. E mencionam as Lojas de Adoção e as Lojas Mistas como precedentes históricos.

De outro lado, os tradicionalistas apontam o fato de que, excluindo-se a França, a Maçonaria Feminina não encontrou eco no restante do mundo, sendo poucas as lojas femininas que se fundaram, consideradas irregulares, sem qualquer reconhecimento por parte da Maçonaria Universal.

Sabe-se que o Grande Oriente de França, o mais liberal de todos, não se insurge contra a Maçonaria Feminina, mas não admitiu até hoje, a mulher em seus quadros de obreiros.

Sabe-se, ainda, que em 1975, a Grande Loja da Itália (Piazza Del Gessú), através de seu Grão-Mestre, Giovanni Ghinazzi, indicou uma irmã, residente no Estado de São Paulo, como garantia de amizade daquela Potência, junto a Grande Loja Simbólica da Maçonaria Mista do Estado de São Paulo. Entretanto, nenhuma Potência regular brasileira reconhece a Maçonaria Feminina.

Contudo, parece que o assunto até hoje não mereceu o tratamento reclamado, sendo analisado de forma superficial. A mulher tem conquistado direitos políticos, dirigindo Nações, como o caso de Golda Meir, Indira Gandhi, Isabelita Perón, Margareth Tatcher e outras; participando dos Parlamentos nacionais de diversos países; exercendo elevados cargos como os de Ministros nos mais altos tribunais, a exemplo do Supremo Tribunal Federal, do Brasil.

(Alguns trechos, não literalmente, foram extraídos do livro “A Mulher na Maçonaria Regular”, páginas 69/70, 2ª edição – março/1999, de Alci Bruno, publicado em A Gazeta Maçônica).

Sou de opinião semelhante ao esposado no último parágrafo acima, em que pese o inteiro teor dos Landmarks, que são pétreos como princípios da Maçonaria Regular universal, considerando que existem fatos históricos importantes, que podem ser reconhecidos sem alteração da essência dos mencionados princípios.

Assim sendo, parece-me que mulher a médio ou a longo prazo estará Iniciando regularmente na Maçonaria, com iguais direitos e deveres dos homens, mesmo mantidos em seus princípios a essência dos Landmarks.
Minhas homenagens às mulheres de todo o planeta Terra.

*Membro efetivo das seguintes Academias: Maçônica Internacional de Letras; Maçônica de Ciências, Letras e Artes da COMAB e Maçônica Maranhense de Letras; membro correspondente da Academia Paraibana Maçônica de Letras e efetivo do Instituto Histórico da Maçonaria Maranhense, seu ex-presidente. E-mail: rocha.osvaldo@uol.com.br e site www.osvaldopereirarocha.com.br

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