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Regularidade Maçônica e Intervisitação

No final do ano passado, ainda no calor das discussões sobre a infeliz decisão de um dirigente maçônico de instituir o separatismo entre nós e, a título de tentar esclarecer a diferença entre Regularidad x Reconhecimento x Intervisitação, elaboramos o texto que segue mais abaixo. Este texto foi produzido com o intuito de circular apenas entre os Irmãos da Bahia. Entretanto, o Irmão Antonio Calado o retransmitiu para Irmãos do seu círculo de amizade. Entre estes, estava o Irmão João Guilherme, conhecido de todos. Decidi compartilhar o tal texto com os Grão-Mestres da COMAB. Talvez para exibir os comentários elogiosos emtidos por João Gulherme, a respeito do mesmo (ah, a vaidade!). Mas acho que não foi por isso não. Decidí compartilhá-lo, ao tomar conhecimento da pauta da próxima Assembleia Geral Ordinaria da COMAB, que girará em torno do tema, e seus desbobramentos. Espero, sinceramente, estar sendo útil (e não apenas vaidoso).

Gilberto Lima da Silva, Soberano Irmão e amigo Grão-Mestre do Grande Oriente da Bahia.

REGULARIDADE x RECONHECIMENTO x INTERVISITAÇÃO

Meus Caros Irmãos do GOB, da CMSB (GLEB) e da COMAB (GOBA):

Desde que a Prancha nº 110/2014 – GGMG foi publicada em agosto deste ano pelo Grão Mestre Geral do GOB, onde ele proíbe a intervisitação entre as suas Lojas Jurisdicionadas e as demais Lojas que não constem da publicação da maçonaria americana intitulada "List of Lodge", tenho visto e ouvido, em todo o País, grandes e acaloradas discussões a respeito da mesma.
Alguns poucos Irmãos a defendem (a Prancha), dizendo que a mesma deve ser obedecida por ser oriunda da autoridade máxima do Poder Central. A grande maioria dos Gobianos, no entanto, a consideram um absurdo e têm tecido pesadas críticas ao Grão Mestre que a emitiu. Já aconteceu, inclusive, a abertura de Processo Criminal contra aquela Autoridade Central, impetrada por Irmãos do GOB, junto ao Supremo Tribunal Federal Maçônico daquela Obediência.

Aliás, quero abrir um parêntese no assunto e perguntar: se o Grande Oriente do Brasil mantém tratado de Reconhecimento com a Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI ou UGLE, em inglês), porque enviou às suas Lojas a "List of Lodges" da maçonaria americana? Não seria mais sensato que utilizasse a "List of Lodge" da maçonaria inglesa, com quem mantém Tratado?

Não quero aqui fazer nenhuma lamentação pessoal, ou em nome do GOBA, a respeito dessa Prancha. Mesmo porque, no caso dos Irmãos que integram a COMAB, me parece, a citada prancha não trouxe nenhum prejuízo até agora (nem benefício, convenhamos). Se a mesma produziu benefício para qualquer das partes, desconheço. Conheço, sim, prejuízos ao Grande Oriente do Brasil que começa a perder Obreiros e Lojas que, tendo se rebelado contra a decisão, estão sendo suspensos, um a um, por seu Grão Mestre Geral.

O que desejo, na verdade, é aproveitar a oportunidade - surgida a partir deste fato - para elevarmos nossa cultura maçônica. Digo isto porque, pelo que tenho percebido, a maioria dos Irmãos parece desconhecer a real diferença entre os termos Regularidade e Reconhecimento no contexto maçônico, ao comentarem e/ou discutirem sobre esse assunto. Aliás, que me perdoe o Grão Mestre Geral do GOB mas, ele próprio, ao produzir a tal Prancha deixa dúvidas se consegue fazer esta distinção ou se apenas quis se aproveitar do fato dos Irmãos desconhecerem essa diferença e se resignarem a respeito, aceitando passivamente sua decisão.

Com relação à intervisitação de Irmãos e Lojas, por exemplo, percebo que ainda existem muitas dúvidas causadas, como já disse, pela falta de informação. Os Irmãos confundem REGULARIDADE com RECONHECIMENTO, que são coisas bem distintas:

REGULARIDADE - Uma Loja ou Potência é REGULAR quando preenche os "Princípios de Regularidade" estabelecidos em documento produzido em 4 setembro de 1929 pela Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

RECONHECIMENTO - Diz-se de uma Potência Regular que estabelece com outra Potência um TRATADO DE MÚTUO RECONHECIMENTO. Observe que não é a Potência "A" reconhecendo a Potência "B". É RECONHECIMENTO MÚTUO.

Então quando alguém diz que não pode receber (ou visitar) alguém da COMAB porque não é Reconhecida (pela Potência dele) é o mesmo que dizer que a Potência dele NÃO É RECONHECIDA PELA COMAB. Certo?

Para haver intervisitação não é necessário que haja Tratado de Reconhecimento. É necessário apenas que ambas as Lojas (visitada e visitante) sejam REGULARES. E neste caso, TODAS as Lojas do GOB, CMSB e COMAB são REGULARES, pois preenchem os requisitos exigidos pela GLUI. Portanto, podemos visitar e sermos visitados, sem problemas. Quem disser o contrário, desculpa, mas precisa se informar. O que não é permitido é visitar ou ser visitado por Lojas, ou Irmãos, ou Potências que sejam IRREGULARES ou EXPÚRIAS (que não preencham os requisitos da GLUI).

Salvo melhor juízo, a nenhum Grão Mestre, de nenhuma Potência do mundo, é dado o direito de definir, de assegurar, de afirmar, quem é Regular ou Irregular baseado apenas na sua vontade pessoal. Ainda que para isso, recorra à sua Legislação, uma vez que existe na chamada Maçonaria Especulativa um documento produzido desde 1929 pelo Alto Conselho da Grande Loja Unida da Inglaterra, até hoje em vigor, chamado Princípios Básicos de Reconhecimento. Por ser um documento oficial da Grande Loja da Inglaterra, ele se sobrepõe às Leis individuais de cada Potência Maçônica. Principalmente aquelas Potências que são Reconhecidas pela GLUI (Grande Loja Unida da Inglaterra).

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"Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho"