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POBRES E RICOS

Recentemente, em um fim de semana – um sábado e um domingo – a cidade do Rio de Janeiro foi tomada por arrastões, que deixaram as pessoas apavoradas, sem falar daquelas que sofreram diretamente as ações dos pivetes. Eles agiram em grupos de dez a quinze assaltantes que, nas praias, tomavam dos banhistas telefones celulares, bolsas, cordões de ouro, relógios, enfim, tudo que pudessem levar.

Em meio a tanta gente, corriam e sumiam, sem que nem mesmo os policiais conseguissem pegá-los. Alguns deles foram presos, mas como disse um delegado, logo seriam soltos, para voltar a assaltar. Isto pelo fato de que eles são menores de idade. Isso é regra geral, conhecida por todos nós. Tais crimes são cometidos não só no Rio de Janeiro, mas em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife e outras capitais e grandes cidades brasileiras. E não só em praia, todavia em ônibus, ruas comerciais, etc.

Tenho ouvido debates, através da imprensa em geral ou em supermercados e outros locais públicos, em que alguns afirmam que a razão da crescente ação de pivetes está na maneira como agem as autoridades, usando apenas a repressão policial, quando o problema é social. Ou seja, para eles, de nada adianta reprimir a ação dos pivetes, uma vez que a causa está na desigualdade, ou seja, esses assaltantes são jovens de classe baixa, filhos de famílias pobres, que, muitas vezes, não têm nem mesmo o que comer.
Isso, sem dúvida alguma, é verdade. Mas, partindo dessa constatação, o que fazer para evitar que eles continuem a assaltar? Na opinião dos debatedores, o governo deveria oferecer-lhes atendimento capaz de reintegrá-los à vida social. Em outras palavras, para eles é a desigualdade social que os leva a furtar ou a roubar, neste caso havendo violência. Fazendo uma análise do problema, encontramos o fato de existirem milhares de jovens pobres nas cidades do Brasil, mas apenas cerca de dez por cento deles praticam assaltos, enquanto noventa por cento deles estudam e ou trabalham. Por que?

Certa vez uma senhora favelada disse à reportagem que tinha cinco filhos, sendo duas meninas e três meninos e quatro deles estão estudando. Ou seja, só um deles não quis estudar e virou assaltante. Vejam bem, todos eles foram criados na mesma casa, na mesma favela, pela mesma mãe, enfrentando as mesmas dificuldades. Por que só um deles optou pelo crime? Recentemente, ouvi um garoto declarar que rouba por prazer e não estuda porque não quer. É verdade que a desigualdade social existe e, no Brasil, chega a nível vergonhoso. E há desigualdade, maior ou menor, em todos os países, até naqueles de alto desenvolvimento econômico, como os Estados Unidos da América. Deve-se observar também que, durante séculos, a humanidade enfrenta esse problema e luta para livrar-se dele. Talvez nunca cheguemos à sociedade justa, mas ela pode ser menos injusta, sem dúvida alguma, só que isso vai demorar bastante.

Seguindo por esse caminho, não se deve punir o menor delinquente pelo fato de existir a desigualdade social ou é mais ou menos assim, o que levou à benevolência das leis brasileiras contra os criminosos, tenham a idade que tiver. No Brasil, costumam chamar os ladrões ricos de corruptos, isto é, são ladrões apenas os pobres. E as pessoas de bem vivem trancadas em suas casas ou apartamentos ou, se saem às ruas, andam sempre com medo, seja de assalto direto ou indireto, estes causados pelos aumentos desenfreados de tudo, por causa da corrupção.

Até quando teremos de viver assim?

*Colaborador, registro DRT/MA nº 53. Site www.osvaldopereirarocha.com.br


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