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DIA DE TIRADENTES

Aprende-se nas escolas brasileiras que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, nasceu na Fazenda Pombal, entre a Vila São José das Mortes, hoje cidade de Tiradentes e São João Del Rei, em 12/11/1746, que foi e ainda é o herói ou mártir da Inconfidência Mineira, um herói nacional, Patrono da Nação Brasileira; que a referida Inconfidência foi o primeiro passo dado para a Independência do Brasil.

Tiradentes era o apelido de Joaquim José da Silva Xavier, um alferes, cargo militar da época colonial, que também exerceu a profissão de dentista, foi Maçom e participou ativamente de um dos principais movimentos de contestação do poder que a coroa portuguesa exercia sobre o Brasil Colônia, a Inconfidência Mineira. O referido movimento foi articulado nos anos de 1788 e 1789 e foi permeado de ideias provindas do iluminismo que se alastrou pela Europa, na segunda metade do século XVIII.

Os inconfidentes de Minas Gerais geralmente integravam, com exceção de poucos, a elite cultural e social daquela região, como era o caso do poeta Tomás Antônio Gonzaga, ou então ocupavam postos militares ou exerciam profissões liberais, como era o caso de Tiradentes. O que dava unidade ao grupo eram ideias como a de liberdade e igualdade, ideias essas que também fomentaram a Revolução Francesa, em 1789, além do anseio pela emancipação e independência com relação à Coroa Portuguesa, à época governada pela Rainha D. Maria, “A louca”.

Os planos de insurgência contra o governo local em Minas Gerais, representado por Visconde de Barbacena, foram articulados em 1788 e tiveram como estopim a política de cobrança de impostos sobre a produção aurífera e sobre os rendimentos que ganhava cada pessoa de compunha a população de Minas. Esse último imposto era conhecido pelo nome de derrama. Apesar de terem uma organização bem elaborada, os Inconfidentes acabaram por ser delatados por Silvério dos Reis, um devedor de tributos que, com a denúncia, acreditava poder sanar suas dívidas com a coroa.

Todos os inconfidentes foram presos. Tiradentes foi apanhado no Rio de Janeiro. O processo contra eles e as respectivas penas foi concluído em 1792, no dia 18 de abril. Os principais líderes receberam a pena de banimento, ou seja, expulsão do país. Tiradentes, ao contrário, foi enforcado no dia 21 de abril e seu corpo foi esquartejado e sua cabeça exibida em praça pública, na principal de Ouro Preto.

Por muito tempo a morte de Tiradentes foi compreendida como a de um rebelde, como típico exemplo de retaliação absolutista. Contudo, após a Independência do Brasil e a Proclamação da República Brasileira, a imagem de Tiradentes foi recuperada e louvada com a de um herói da Pátria, já que lutou pela sua liberdade até a morte.

Um exemplo dessa imagem foi a instalação, na cidade de Ouro Preto – MG, em 1867, do primeiro monumento a Tiradentes. Outro exemplo foi a pintura de Pedro Américo do quadro “Tiradentes Esquatejado”, em 1893, que traduz a imagem idealizada do martírio.
Em 1985, o Presidente Castelo Branco contribuiu para o reforço dessa imagem do herói Tiradentes, sancionando a Lei nº 4.897, de 09/12, que instituiu o Dia 21 de Abril como Feriado Nacional e Tiradentes como, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira e também das Polícias Militares nos Estados. Ele foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria em 21/04/1992. Dia 21 de abril é o Dia de Tiradentes.

*Colaborador, registro DRT/MA nº 53. Membro fundador do Instituto Histórico da Maçonaria Maranhense – IHMM e seu primeiro presidente. Site www.osvaldopereirarocha.com.br

"Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho"