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CARNAVAL DA MINHA JUVENTUDE

À GUISA DE PREFÁCIO

Concede-me o autor de CARNAVAL DA MINHA JUVENTU8DE, advogado, jornalista e articulista, OSVALDO PEREIRA ROCHA, detentor de opulenta biografia, duplo privilégio, ao confiar-me a delicada incumbência de, sobre esta obra, tecer as considerações próprias deste mister, à guisa de prefácio. O primeiro é o de lê-la, antes dos seus destinatários, que são os leitores; o segundo é o de imortalizar-me, com ele, na medida em que esta minha contribuição venha integrar o livro a ser levado a lume.

Impõe-se, de plano, registrar que, para aproveitar uma vaga nos compromissos da editora, o autor impôs-me um prazo muito exíguo para a tarefa a que não podia recusar, ainda que com essa exigência. Tive, por isso mesmo, que me socorrer de uma técnica que reconheço não dominar ainda, a leitura chamada dinâmica, para ler o texto e dele extrair a essência da mensagem intrínseca, com a sincera intenção de introduzir o leitor na apreciação de mais uma produção de bom gosto literário do consagrado autor que revela, nesta obra, seus dotes de exímio historiador.

CARNAVAL DA MINHA JUVENTUDE é uma coletânea de artigos e crônicas escritos com a simplicidade que marca o talento de OSVALDO ROCHA. O seu conteúdo, por agradável, sugere uma leitura daquelas que não se quer interromper tal o bom gosto dos temas selecionados. Muitos deles, aliás, já eram de meu conhecimento como um dos seus assíduos leitores, especialmente no Jornal Pequeno, de grande circulação em São Luis e no interior do estado.

Com o “Rotary na cabeça e a Maçonaria no coração” – como o autor faz questão de proclamar sempre - a obra de que me ocupo com enorme prazer traz, no seu bojo, predominantemente, artigos versando sobre o ROTARY, suas datas festivas e históricas, e sobre a MAÇONARIA - também de conteúdo histórico - acentua o seu papel perante a humanidade. Esses artigos constituem prova inequívoca, incontestável e admirável de sua dedicação e de seu acendrado amor às duas instituições, que tantos serviços tem prestado à humanidade no mundo inteiro. A Maçonaria, instituição multisecular, que durante muito tempo, teve a existência marcada pelo combate à tirania e ao despotismo, através do sacrifício de muitos maçons, foi fundamental nas lutas libertárias, a começar pela Revolução Francesa, de 1789, cujo ponto alto foi o lema consubstanciado na LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE, trilogia que constitui os pilares e a inspiração de sua existência, no passado e no presente.

O Rotary, cuja existência benfazeja já ultrapassa um século, criado nos Estados Unidos por homens de negócio, sob a liderança de um advogado, com o objetivo, a um só tempo nobre e sublime de fomentar o companheirismo, tornou-se uma respeitável e conceituada instituição internacional. Chegou ao Brasil vinte anos após sua fundação, em Chicago, e logo se firmou em todo o território nacional, notabilizando-se pelos relevantes serviços prestados às comunidades onde atua, especialmente nos campos da saúde e da educação.

O componente telúrico e os fortes sentimentos de amor filial e de fraternidade estão presentes na obra, e dizem muito do caráter do autor, enquanto homem - família que nunca se desligou de suas origens. OSVALDO ROCHA refere-se com muito carinho aos seus pais ANTONIO DA SILVA ROCHA e LUIZA PEREIRA ROCHA, que constituíram uma prole de vinte filhos, e de quem conta histórias bem pitorescas. Seu Antonio, lavrador como tantos de sua época, que viveu quase 95 anos, e que só freqüentou menos de um mês de escola, destacou-se dos demais irmãos, pois gostava muito de ler e foi assim que adquiriu uma cultura geral que lhe possibilitou chegar a ser o primeiro Prefeito da cidade de Santo Antonio dos Lopes, depois de ter sido presidente da Câmara Municipal. Aconselhava os filhos a quem tratava com severa disciplina, com exortações moralistas próprias do seu tempo, dizendo-lhes “nunca mintam, não sejam covardes, sejam homens, não quero filho ladrão, assassino ou fresco”.

A fazenda Nova Santa Cruz, batizada com esse nome em homenagem à antiga Fazenda Santa Cruz, pertencente aos seus pais, ocupa lugar de destaque na sua vida. Zé Codó, seu “capataz”, é uma figura conhecida na região pelos seus improvisos e pela sua mania de apelidar todos quanto conhece. É interessante não deixar de ler a história do touro negro, de outra fazenda, que “traçou” uma novilha do rebanho do autor, pulando a cerca, sem cerimônia e sem nenhum respeito ao seu reprodutor “touro brabo”, que, naquele dia, perdeu a fama e certamente duplicou os seus chifres.

CARNAVAL DA MINHA JUVENTUDE, que deu nome a este livro, inspira-se, como não poderia deixar de ser, nos carnavais passados, com destaque para os famosos bailes de máscara em São Luís. Num desses bailes, Osvaldo, como muitos daqueles que se aventuravam naquelas gostosas festas, foi vítima de um qualira, com quem dançou demoradamente, só se apercebendo de quem se tratava quando resolveu usar a “mão boba”.

Finalmente, merece referência o elevado espírito patriótico do escriba, revelado nas homenagens às forças armadas, em belos artigos, especialmente à Marinha de Guerra. Nesse particular, merece realce a narrativa da Batalha do Riachuelo, excelente contribuição para história que poucos conhecem.

Enfim, esta obra é daquelas cuja leitura aconselho, convicto de sua utilidade e de que agradará, não só a um público especializado, mas a quantos se dediquem à história e a quantos cultivem os valores da família e da fraternidade, postergados, hoje em dia, pela ambição do TER, em lugar do SER.

Raimundo Ferreira Marques


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